
DANI NOGUEIRA
daniela. nasci na primavera em SP. vim de uma vogal: o A do ABC, Santo André. o plano sempre foi sair andando.
"você era dessas; soltava da mão e fugia”
(Nogueira Célia, A Mãe).
aos 9 anos tive a rádio caseira Grão de Bico;
quis ser publicitária aos 11 pra criar comerciais de TV; quis ser jornalista aos 18, pra viajar pelo mundo e narrar a queda do muro de Berlim;
quis ser cineasta aos 20 e se eu não fosse humana, seria algo que captura imagens.
“eu queria cantar”
(Nogueira Dani, Eu mesma)
é uma frase minha que circula entre amigos.
músicas ambientam a vida, criam trilha-memória-sonora num corpo que é também dançante. faz pouco tempo que aprendi a ouvir jazz e isso acalma meus pensamentos mercuriais. com jazz eu só sinto e isso me deixa fazer de maneira mais concentrada as minhas interessâncias.
me formei em Design, especificamente moda.
durante a faculdade trabalhei como vendedora da Levis, pesquei muita coisa ali no "chão de loja". fiz freelas de ilustração, produção e styling de moda. tive a EPISÓDIOS, já em 2000 uma marca Vintage e de Upcycling. ainda aluna comecei a dar aula (sim) e fui tomada por processos criativos e história da moda .
o passado sempre me interessou.
lá se vão 20 anos como professora de graduação, pós graduação em várias instituições.
embora dar aulas atualmente não seja o que me define, você sempre irá me ouvir relacionar - o que apelidaram de hiperlinks - a história das coisas dentro das minhas reflexões pra atravessar a ponte do passado pro futuro. também sou chamada por pessoas legais - se não for assim, não vou - pra pesquisar e fazer figurinos.
dessa parte de mim, um fragmento de tudo que sou saiba: Amo a Roupa, não a moda.
A FLANAR
flanar. ação de caminhar. substantivo francês flâneur, flâneuse.
caminhar é um princípio de valor para mim, é gerar movimento interno e externo. me perceber no outro e nos lugares. há movimento no sentir, no colocar as ideias em ordem. Há movimento no próprio caminhar - na troca de passos.
tenho PAIXÃO, amor contínuo
por caminhar, sair do carrinho ligeiro da vida pra observar pessoas e ambientes.
xeretar, com meu tempo de valor, o cotidiano, o infraordinário das pessoas, por significar tudo o que vejo.
sou caminhante, observadora, contempladora das ruas e pessoas. daí saem reflexões, ponto de vista, perspectivas - notas faladas, visuais, notas sentidas
NOTAS FLANAR
é assim que me comunico com você
comigo você vai encontrar notas
tomo notas; faladas, escritas, visuais e te passo.
anotações, apontamentos, esboço, borrão - essa é minha linguagem. me interessa comunicar de forma escrita, falada. até no silêncio encontro a comunicação.
escrever; de placas de caminhão; legendas, de bilhete a um livro;
me interessa tudo que envolve o ato humano de criar
e depois contar, falar, passar pra frente o que se viu de real e sentiu nas flanâncias.
"além do lugar que as coisas ocupam no mundo, pra mim, sempre existiu o lugar que o SIGNIFICADO das coisas ocupam em mim"
(Nogueira, Dani. A FLANAR, 2015)
e isso só é possível com observação e percepção ampliada e boas lentes.
sempre respondi de pronto, ao meu modo:
"o que você vai ser quando crescer?"
eu dizia vermelho.
" e o que você quer fazer quando crescer?"
eu disse sair andando.
pequena, tinha um sonho recorrente, não conseguia andar.
a infância dá sinais. é uma primeira camada desse enigma que adultos queremos decifrar- “o que seremos?".
de alguma outra forma, adulta, eu aprendi ferramentas e as apliquei pra mim em busca do que acredito. sempre foi sobre se expressar antes de ser trabalho.
trabalho é justamente o que a infância não pede.
ela só quer manifestações espontâneas da alma que nosso eu criança faz.
hoje, faço as mesmas coisas de lá atrás. batizei com outro nome e criei ferramentas pra adulta que me tornei ficar profissional.




